Por: Kelly Maria – Foto: Kelly Maria / Divulgação – PMCG
O subsecretário de Vigilância em Saúde, infectologista Rodrigo Carneiro, esteve reunido, nessa quarta-feira (4), com representantes do setor de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, para planejamento de ações voltadas para o controle da disseminação da esporotricose humana e animal no município. Em Campos, foram notificados, nos últimos três anos, 127 casos em humanos.
O especialista aponta que a contaminação humana em ambiente é rara, sendo a maior parte dos casos transmitida por contato com felinos infectados. Carneiro explica que, apesar da existência de tratamento, a esporotricose apresenta elevada morbidade, frequentemente resultando em sequelas cutâneas que afetam a estética e, em alguns casos, podem levar a complicações sistêmicas.
“A Vigilância em Saúde tem observado um aumento gradual dos casos de esporotricose no município de Campos nos últimos dez anos. Essa incidência estabilizou-se em patamares elevados nos últimos três anos, com uma discreta tendência de crescimento, o que representa uma preocupação para as autoridades de saúde”, informou.
Durante o encontro, foram traçadas ações de planejamento como: o tratamento dos animais infectados; a castração daqueles que possuem tutores; a promoção da adoção dos animais recolhidos pelo CCZ e a educação da população. “A reunião foi crucial para definir as prioridades das estratégias a serem implementadas para o controle da esporotricose humana e animal no município”, destacou.
Para a professora e médica veterinária do Laboratório de Clínica e Cirurgia Animal da Uenf, Adriana Jardim de Almeida, o foco principal é educar a população sobre a importância de manter os animais dentro de casa para evitar contaminações e doenças, além de promover a cremação de carcaças de animais infectados, a fim de interromper o ciclo do fungo. “Essas ações são essenciais para controlar a doença no município. Além disso, desde 2017, a Uenf realiza o atendimento e acompanhamento de animais com esporotricose, em parceria com o CCZ, que fornece os medicamentos”, reiterou.
Atendimento — O paciente infectado, principalmente com lesões cutâneas, é encaminhado para avaliação pelo médico infectologista no Centro de Doenças Infecto-Parasitárias (CDIP) e tratado no mesmo local. A medicação prescrita é dispensada pela Secretaria Municipal de Saúde.
Animais atendidos — O diretor do CCZ, Carlos Morales, explicou que a distribuição do medicamento é feita de forma gratuita ao tutor do animal, após a consulta e confirmação da doença, por meio do atendimento no programa de esporotricose na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).
“Por mês, são dispensados cerca de 900 comprimidos, o que abrange aproximadamente 30 animais. O tratamento dura em torno de seis meses, e existem prioridades para garantia da medicação, como pessoas de baixa renda que recebem benefício social”, finalizou.



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